Quinto Round. É hora de liberar a fera! Na academia de Greg Jackson em Albuquerque, Novo México, isso significa chamar Tyler 'The Beast' East. O meio-pesado Jon Jones tinha acabado as suas quatro horas de treino em preparação para a luta do UFC 128 contra Mauricio 'Shogun' Rua e o seu prêmio para o quinto round era a poderosa promessa da categoria pesado.
"O menino é bom. Ele dispara chutes fortes de direita direto na cabeça e nas pernas, e quando ele soca, é como se eu lutasse contra o Golias. Ele realmente me faz sentir como se eu tivesse que sobreviver".
É, Jones tem sido forçado a sobreviver. Apesar de ter passado com tranquilidade por todos os seus oponentes e ter feito bons lutadores parecerem normais, na academia, o lutador é colocado no seu limite diariamente.
"Essa sensação que o East me dá, ninguém nunca me deu em uma luta de MMA, com a exceção do Stephan Bonnar, quando eu realmente me cansei e não sabia mais o que fazer. Mas a minha equipe é muito forte e quando eu treino é um nível completamente diferente de tudo que já experimentei em uma luta".
Por mais que pareça difícil, essa é uma boa notícia para Jones, de 23 anos. A má notícia é que Shogun é um oponente diferente de todos que ele já enfrentou. É por isso que ele é o campeão do meio-pesado do UFC e é visto como um dos melhores do mundo. Mas Shogun não é um estranho para Jones. Na verdade, nos seus primeiros dias no esporte, ele se acostumou a ver o brasileiro.
"Existia uma garota, a Michelle, que treinava MMA há mais tempo do que eu e era fanática pelo Shogun. Então todo dia que eu a encontrava no mercado, ela me dava um DVD diferente dele para assistir.
"Assista esses", ela dizia, "eles são uma ótima forma para você aprender a lutar".
"Ele foi o primeiro cara que assisti e pensei que gostaria de lutar com ele um dia, mas nunca me inspirei nele. Ele era apenas o lutador que eu vi pela primeira vez quando entrei no esporte. Depois veio o Anderson Silva e eu logo esqueci do Shogun. Mas eu lembro de falar que era impressionante ele ter apenas 23 anos e já ser campeão do PRIDE. Isso me motivou e mostrou que tudo era possível".
E Jones comprovou isso. Ele talvez seja um talento único da sua geração. Venceu Bonnar apenas na sua segunda luta pelo UFC e mesmo na única derrota, para Matt Hamill, ele foi desqualificado 15 segundos depois de onde a luta deveria ter sido encerrada, com um nocaute a seu favor.
Mas a luta que convenceu até os mais céticos foi a sua vitória sobre Ryan Bader em fevereiro. É uma conquista que muitos comentam por conta do que veio depois, com Jones tendo a chance de entrar no lugar de Rashad Evans, lesionado, para tentar o título contra Shogun.
E agora Jones pode mostrar ao mundo do MMA toda a sua competitividade, misturada com o seu estilo dinâmico e sagacidade. Ele tem sido chamado de 'A Próxima Grande Coisa' desde a sua estreia no UFC contra André Gusmão em 2008 e nada que aconteceu depois dessa luta diminuiu o seu status.
E se Jones vencer no sábado à noite, ele pode muito bem se tornar a figura mais importante do esporte no momento. Mas ainda há um lutador a ser batido. Shogun, apesar do que os apostadores pensam, não é um azarão. Ele é um veterano que já conquistou o que Jones ainda está tentando. Ele também já lutou contra os melhores do esporte e se os nocautes sobre Chuck Liddell e Lyoto Machida não foram convincentes, considere que ele está entrando em uma luta 100% saudável pela primeira vez em um bom tempo.
Mas a grande questão para Jones é como ele irá reagir se for atacado pelo artista dos nocautes que Shogun é. Ele fará aquela dancinha engraçada? Será capaz de se levantar e se recuperar? Essas respostas são todas desconhecidas para nós, mas não para Jones.
"Minha resposta para isso é que eu tive o privilégio de nunca mostrar isso pra ninguém. Para todos que dizem que nunca me viram apanhar e imaginam como irei reagir, a razão de nunca ter sido batido é porque sou obcecado com o que faço e estou na academia diariamente, seis horas diárias e três vezes ao dia. Mas para quem ainda imagina como irei reagir, posso dizer que já fui nocauteado e reagi bem. Eu estou preparado e isso que importa".
É a voz da juventude, da confiança e possivelmente do futuro das Artes Marciais Mistas. Mas ele não está sendo pretensioso, ele apenas acredita que o que é construído pode ser conquistado. Ele pensa nessa luta todos dias há seis semanas e agora falta apenas um dia.
"Eu me imagino chegando lá, lutando a minha luta, mantendo minha guarda, trocando socos, levando chutes e chutando de volta. Eu consigo me ver derrubando-o, ainda pior do que fiz com Stephan Bonnar. Consigo me ver finalizando no chão. Basicamente, tudo que ele pode fazer, posso fazer melhor. Sou jovem, faminto e Shogun é um grande lutador, mas eu sinto que não há nada que ele faça que eu não possa fazer".
Bones para por um momento e continua...
"Eu vejo essa luta indo para o meu lado no chão, em pé e no wrestling".
Essa é a hora de Jones mostrar que pode sacudir o mundo.

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