Com o cinturão na mão, a parte difícil começa para Cigano

"Eu sei que tenho um alvo nas minhas costas, mas isto é bom. Tenho que estar constantemente melhorando como lutador, e saber que tenho que lutar para permanecer aqui no topo somente me motiva ainda mais."  - Junior Cigano
UFC heavyweight champion Junior dos Santos
Já estivemos nessa estrada antes. Um campeão novo e empolgado sobe ao topo do esporte, e a comemoração do que se espera ser o começo de um reinado longo.  

E então, não é. O reinado acaba com um golpe, e a busca começa novamente. A última pessoa a receber essa dose difícil da vida no mundo das lutas foi Cain Velasquez. E o homem agora tido como o próximo grande campeão peso pesado, é o homem que o venceu pelo título do UFC, Junior Cigano.  

"Eu gosto daqui", disse Cigano. "Eu sei que tenho um alvo nas minhas costas, mas isto é bom. Tenho que estar constantemente melhorando como lutador, e saber que tenho que lutar para permanecer aqui no topo somente me motiva ainda mais."  

E se você acha que o nocaute de Cigano de 64 segundos em Velasquez em novembro passado lhe rendeu uma boa e longa folga ou algum tratamento especial de seu treinador de longa data, Luiz Dorea, vamos lá, você sabe que esse não é o caso.  

"Absolutamente, ainda estou aprendendo," disse Cigano. "Meu treinador Dorea sempre diz que quando um lutador começa a pensar ele não tem mais nada a aprender, este é o começo de seu fim. Estou sempre tentando aprender mais, a aprender técnicas diferentes e melhorar meu jogo."  

E para não trazer má sorte para o cara de 28 anos de Salvador, Bahia, mas ele realmente não parece ser o tipo de cara que deixa a sua fama subir a cabeça, mas admite que as coisas estão um pouco diferente de 11 de novembro a 13 de novembro.
 
"O que mais mudou pra mim foi o reconhecimento dos fãs," ele diz. "Sou reconhecido e parado por pessoas em público muito mais agora. E eu tenho mais obrigações com a mídia. Fora isso, pouco mudou."  

E ainda há uma luta para se preocupar no sábado a noite, e para ir para Las Vegas, Cigano teve que experimentar a desgraça da existência de um lutador - a troca de oponente. Com seu oponente original Alistair Overeem não sendo licenciado pela Comissão Atlética de Nevada, Frank Mir foi elevado ao posto maior ao lado do campeão.  

"Não fiquei chateado (pela substituição)," disse Cigano. "Eu não escolho meus oponentes. Eu tive que ajustar algumas coisas, especialmente dada a grande diferença entre Overeem e Mir - um é striker, o outro é um especialista em finalizações. Um é destro, o outro é canhoto."
 
Mir tem que saber que esta pode ser a sua ultima chance pelo titulo, e tudo que ele precisa é um segundo para que Cigano cometa um erro e acabe com ela. Ninguém sabe mais disto do que o campeão, que viu seu mentor, Minotauro Nogueira, a segundos de vencer Mir por socos, quando o nativo de Las Vegas virou o jogo e finalizou o ex-campeão do Pride e do UFC.  

Se vingança por seu mentor é um motivo, Cigano não deixa transparecer, e tudo bem. O ditado é que a vingança é um prato que se come frio, e se preocupar com isso não vai fazer a tarefa ficar mais fácil.   

"Eu acho que minha maior motivação é que amo ser quem eu sou," ele disse. "Eu amo ser o campeão, e quero ser o campeão por muito tempo, então sempre dou o meu melhor. Querer estar no topo só me motiva e me mantém focado no meu treinamento."    

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