Diego Nunes – Aguarde e confie

"Eu sempre vejo o que está pela frente, não o que pode vir depois. Agora estou focado no Florian e no que posso fazer para vencê-lo". - Diego Nunes
A primeira impressão que temos sobre uma determinada pessoa pode ser modificada quando você fala com ela. E às vezes, o que parece ruim pode ser bom, e vice-versa.  
  
O gaúcho radicado no Rio de Janeiro, Diego 'The Gun' Nunes, um dos pesos penas mais talentosos do planeta, conhece bem este tipo de situação. Treinando em academias diferentes até chegar na Nova União, uma equipe que ele chama de família, Diego - que enfrenta o ex-desafiante peso leve e estreando nos penas, Kenny Florian, neste fim de semana em Vancouver - tem experiência em ser vítima de impressões erradas daqueles que não o conhecem bem.  
  
Popular entre as meninas, o garoto de Caxias do Sul diz que bullying era uma constância para ele no colégio, porque alguns colegas invejosos achavam que Diego só fazia isso para provocá-los. Hoje, o lutador ainda lida com esses mal-entendidos, já que as tatuagens, a simpatia e senso de humor fazem com que ele seja descrito como um 'playboy louco' ao invés da pessoa agradável e religiosa.  
  
"Eu era mais rotulado disso e daquilo quando era só um garoto", afirmou Diego. "Desde a escola até que o primeiro dia de treinamento em uma nova academia, percebi que alguns me viam de maneira diferente do que eu realmente era. Passar por dificuldades no início da minha vida foi uma maneira de entender isso sem problemas".   
  
Conversando com Diego mais um pouco, vemos uma diferença extrema entre engraçado e louco. Os planos do aluno de 28 anos de André Pederneiras foram sempre muito focados em formar uma família com sua esposa Sabrina, uma mulher que ele diz ter sido uma escolha de Deus, mas que combinava exatamente com o que esperava.  
  
"Desde que comecei minha vida nas artes marciais, sempre estive sozinho", ele diz, não se referindo apenas a estar sem namorada, mas sem muitos amigos e familiares por perto. "Eu não tinha o carinho de uma namorada ou uma amizade leal, então eu pedi a Deus para colocar no meu caminho uma mulher como esta, e assim Ele me enviou minha mulher há três anos. Ela é uma pessoa que me completa. Meu sonho sempre foi ter uma família, eu visualizei essa imagem: eu, minha esposa e me filho, que pretendemos ter, logo que minha carreira fique mais estabilizada".  
  
Uma carreira sólida significa bater adversários após adversários até chegar ao título, e Diego, um dos ex-penas do WEC, tem sido bom nisso. Tirando sua única derrota (decisão unânime para L.C. Davis), 'The Gun' despachou 15 adversários até o WEC se fundir com o UFC.  
  
No início deste ano, ele entrou no octógono pela primeira vez para lutar contra o ex-campeão dos penas do WEC, Mike Brown, no UFC 125. O combate foi uma guerra e o resultado uma vitória por decisão dividida para o brasileiro. Com a pálpebra esquerda completamente inchada desde a metade do primeiro round, devido aos socos de Brown, Diego evitou maiores danos, enquanto trocava em pé e bloqueava as tentativas de quedas do ex-campeão. O prejuízo do primeiro round parecia ser a injecção de ânimo que ele precisava, já que Diego voltou com tudo, abusando dos chutes rodados nos dois rounds seguintes.  
  
"Eu adorava chutar desde moleque, fiz aulas kung-fu e tae kwon do antes de me tornar profissional e começar a treinar kickboxing e Muay thai, então eu afiei um talento natural", disse ele. "Eu cresci apanhando, e aprendi muito, por isso desde criança eu tinha essa de nunca me entregar. Eu mantenho a calma sob pressão, pois devido ao que eu passei na minha vida, sei que nada pior pode acontecer. Se o cara me bate uma vez, eu quero bater nele duas. Esta é a minha motivação".   
  
Quebrando um pouco a seriedade das declarações acima, Diego mostra seu lado engraçado em seguida, lembrando que os esforços para transformar pesadelos em sonhos vêm do mangá japonês (famoso na terra do sol nascente e aqui no Brasil), Os Cavaleiros do Zodíaco. Mais precisamente a parte de todo o sofrimento que o protagonista Pegasus Seiya passa na maioria dos episódios, para então brilhar no final.  
  
"Meus colegas riem muito quando eu digo isso, mas quando garoto eu assistia esses desenhos, onde o Seiya se machucava lutando contra inimigos muito maiores e mais poderosos e isso era impressionante", diz ele, sorrindo. "Ele continuou indo para cima, apesar de todas as adversidades e eu tenho que continuar minha carreira assim também".   
  
De volta ao mundo real, sua próxima luta é 'a luta' no UFC 131 contra um cara que não está para brincadeiras, 'Kenflo'. Diego sabe que o embate pode ser muito diferente da estréia no UFC. Diante de um participante do primeiro TUF, e ex médio, meio-médio e leve, Florian é um contendor perigoso, que o brasileiro considera um adversário muito semelhante a sua própria imagem.  
  
"Eu acho que o Brown amarra muito com um jogo de quedas e ground and pound, tornando a luta um pouco chata", diz ele. "Kenflo tem velocidade e gosta de chutar, entrando e saindo até conseguir pôr seus adversários na sua zona de conforto. Vejo essa luta como a mais eletrizante do UFC 131, sem dúvidas".   
  
Se existem tantas semelhanças, Diego vê uma pequena vantagem para ele nesta co-luta principal, já que tem lutado até 66 quilos desde 2008, enquanto Florian vai saborear a vida na divisão pela primeira vez.  
  
"Eu sei que ele é um lutador com todos os tipos de profissionais para ajudá-lo a se preparar em um nova categoria, mas treino é treino e luta é luta", diz ele. "Eu não vejo ele com 100% de suas condições em uma nova divisão. Estou nela desde 2008 e acredito que ele vai perder alguma coisa - não sei se será resistência ou força - mas vejo um pequeno ponto de vantagem para mim".  
  
Se Nunes bater o finalista do TUF 1, ele vai passar a almejar a disputa pelo título da categoria, mas não será o caminho que a maioria dos combatentes fazem, principalmente porque o homem que detém o cinturão do UFC nesta divisão é o seu companheiro de equipe e amigo pessoal José Aldo.  
  
"Eu sempre vejo o que está pela frente, não o que pode vir depois. Agora estou focado no Florian e no que posso fazer para vencê-lo", disse ele. "Meu objetivo é o cinturão, mas não posso me imaginar, nem por um centésimo de segundo, o que vai acontecer depois dessa luta. Aldo é um irmão, um amigo e um companheiro e eu não posso negar que nós já conversamos sobre isso com o nosso treinador e com os nossos empresários".  
  
E qual foi o veredito?  
  
"Aguarde e confie", diz Nunes, sorrindo, mas mantendo o suspense. "Por enquanto, tenho apenas um destino, Florian. O resto vem depois, e só depois, se algo vier".    

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