Ronny Markes - Colhendo os lucros de um difícil começo

O Nordeste do Brasil. É um lugar onde muitos eventos acontecem, e muitos lutadores aparecem, mas apenas alguns chegam a um lugar ao sol, conseguem um pouco de popularidade, ou têm seus nomes considerados como grandes lutadores.    
  
Mesmo hoje, ainda vemos alguns caras lutando para provar que os seus recordes têm mais lutas do que os mostrados na internet, a fim de conseguir a sonhada oportunidade lutar internacionalmente.   
  
Existem exemplos como Thiago "Pitbull" Alves e Gleison Tibau, que atualmente são dois dos principais nomes do UFC, mas, antes, ambos sofreram, lutaram e emergiram dos circuitos do Nordeste do Brasil.
     
O último vindo de lá é o recém-chegado no UFC, Ronny Markes, que faz sua estréia no octógono contra o forte tcheco Karlos Vemola em um embate preliminar no card do UFC on Versus 5 em Milwaukee. O produto de 23 anos da Kimura/Nova União, uma fábrica de guerreiro no Brasil, passou pelas mesmas dificuldades que todos os homens tentando ser atletas passam antes do profissionalismo completo - mas uma experiência ele não teve, uma vez que sua primeira luta de MMA não foi em casa, como seus conterrâneos pioneiros. Em vez disso, ele lutou fora do Brasil.
      
"O MMA era algo que eu queria, e antes da minha primeira luta de MMA eu não tinha grana. Eventos de Jiu-jitsu e Submission não têm premiação alta, então eu trabalhava como segurança em uma boate por volta de 2006, enquanto ainda era um lutador amador", disse ele. "Eu conheci um grupo de turistas espanhóis que estavam visitando a cidade. Eles foram até a boate que eu trabalhava, e como tinham uma academia em Madrid, me fizeram o convite e foi o começo para mim".
    
Ok, sabemos que a Espanha não é conhecida ainda como a Meca do MMA, mas para Ronny, essa era uma oportunidade de ouro para ganhar dinheiro ensinando a arte suave, enquanto aprendia a cultura do Velho Continente. Chegando na Espanha, o brasileiro encontrou os compatriotas Fabricio "Vai Cavalo" Werdum (ex-lutador do UFC) e seu irmão Felipe, e a saga de Ronny teve início. Naquela época, o natalense de 19 anos ainda não estava programado para fazer nenhum combate de MMA, no entanto, as portas se abriram para ele quando um aluno de Werdum não pôde lutar e Ronny estava no lugar certo e no momento certo.  
   
"Eu me lembro das palavras do Felipe: "Hey garoto, você tem coragem de lutar?' Era minha chance de mostrar o Jiu-jitsu que desenvolvi na Kimura/Nova Uniao e aceitei sem hesitar", disse ele. "Enfrentei um francês com cinco lutas, e graças a Deus venci".  
    
A luta de 2007 na Europa foi o início da viagem no MMA para o jovem brasileiro. Aquele mesmo garoto que não pôde começar no Jiu-jitsu quando era mais jovem, porque mesmo seu tio sendo praticante e Ronny o admirando muito por isso, seus pais não gostavam da idéia de ver a alegria da família treinando, então ele só teve seu primeiro contato com os tatames por volta dos 15 anos de idade com o professor Iranilson.  
    
A fama da academia Kimura/Nova União atraiu a atenção de Ronnys, e ele queria treinar com eles. Mas o principal obstáculo para o menino era a mensalidade das aulas de Jiu-jitsu. Ou ele pagava a passagens de ida e volta de ônibus, ou pagava a academia, fazer ambos era uma missão impossível.    
"Jair Lourenço (membro fundador da Kimura/Nova União) me deu permissão para treinar de graça, e sou muito grato a ele. Ele só me pediu dedicação nos treinos".  
 
O vice-campeonato Brasileiro de Jiu-jitsu, as várias vezes campeão do estado do Rio Grande do Norte e os títulos em competições de submissão (conquistando peso e absoluto) mostraram que a confiança de Jair, e nesse tempo com o apoio dos pais, foram partes integrantes na construção de um forte competidor.
    
Mas os cascas-grossas mostram quem são de verdade quando estão em situações difíceis, e quando Ronny estava de volta ao Brasil a fim de resolver sua documentação trabalhista na Espanha, ele rompeu os ligamentos do joelho direito em um treino e seu mundo desmoronou. O revés não só interrompeu o seu futuro, mas colocou o homem em cheque.
     
Imaginando como seria para conseguir fazer a cirurgia, Ronny viveu um inferno por cerca de um ano e meio. Mas no grupo de amigos espanhóis que lhe deram a chance de mudar para a Europa, estava Carlos Copado, que pagou a cirurgia para o brasileiro manter a promissora carreira.
     
"Copado é um fã de luta que não esqueceu um amigo quando eu precisei dele", disse ele. "Ele apoiou meus companheiros de equipe também, como Renan Barão (peso galo do UFC). Copado sempre disse que eu poderia estar com os melhores. Pagar minha cirurgia foi muito importante, no entanto a motivação que ele me passou foi realmente o que me fez renascer".
     
Empolgado para voltar à ação depois de mais de 400 dias afastado, era um enorme desafio para Ronny. Relutante, mas determinado, ele retornou com uma fácil vitória por finalização - superando o nervosismo de sua re-estréia. Derrubando um após o outro, Ronny compilou um admirável recorde de 10-1. A derrota, quando foi finalizado no ano passado, aconteceu no que ele diz ter sido a noite de seu oponente, não tirando os méritos do adversário.  
   
Jovens competidores aprendem com as derrotas, e Ronny aprendeu, mas, na realidade, sua última luta antes de ingressar no UFC foi a que realmente mostrou o que é ganhar maturidade, uma vez que ele prevaleceu na velha situação de "espantar fantasmas". Uma melhor explicação? Para um homem que espelhou seu estilo nos de Ricardo Arona e Paulo Filho no Pride, estar diante do segundo em uma luta no Brasil era algo que ele nunca imaginou. Mas a hora tinha chegado.
   
"Eu encarei (fã enfrentando ídolo) profissionalmente, porque sabemos quer para ser "o cara", você precisa vencer 'o cara'", disse ele de sua luta contra o ex-campeão dos médios do WEC. "Eu dominei completamente o primeiro assalto, apliquei até um knockdown, e imaginei que ele voltaria mal para o segundo (risos). Ele veio mais forte".
   
Paulão trabalhou sua capacidade natural no Wrestling, conectada com seu super Judô e um Jiu-jitsu excelente para levar para baixo e dar o troco. E sob uma chuva de pedras, Ronny teve a lição que precisa para ser bem sucedido no UFC. Ouvir o córner.
     
"Ele me bateu muito", diz Ronny. "Mas pude ouvir bem meus corners, e eles me orientaram para manter a calma e passar pela dureza que foi aquela sessão de ataques no segundo assalto para brilhar no terceiro e vencer por decisão unânime".
     
Após o embate, que mudou sua vida, ele está indo para lutas ainda mais importantes. Participando de um grande show como o UFC, Ronny está colocando seu nome entre os melhores do planeta. Assim, tendo pela frente um wrestler hexacampeão nacional como Vemola, ele espera fazer com que todo sangue, suor e lágrimas rendam lucros com uma vitória dentro do octógono.  
   
"Eu era muito ansioso no passado, e minha mulher me ajudou a diminuir isso. Talvez se eu tivesse entrado no UFC antes, não dormiria nas semanas que antecederam o domingo, 14 de agosto", disse ele. Mas estou cercado por grandes pessoas - como meus treinadores Jair, André Pederneiras e meu preparador físico Thiago Macedo. Então me sinto pronto.  
 
"Eu sei que o Vemola tem experiência no octógono, e ele gosta de pressionar desde o início para terminar a luta no primeiro round. Vou estar alerta desde o primeiro segundo da luta, procurando surpreendê-lo nos contra-ataques . Ele é um especialista em wrestling, tem um bom ground and pound, mas sou um lutador versado em Jiu-jitsu e posso pegar qualquer coisa que ele me ofereça quando a luta chegar no solo".  

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