Em pé ou no chão, Edson Barboza pode finalizar em qualquer lugar

"Eu acho que cada luta no UFC é um teste para o meu MuayThai, mas este não é um evento de Muay Thai, então estou pronto para lutar em pé e no chão". - Edson Barboza
O nível na trocação que o brasileiro Edson Barboza mostrou em seu primeiro combate no UFC foi algo próximo da perfeição.     
    
A máquina de Muay Thai - que faz sua segunda aparição no octógono neste fim de semana contra Anthony Njokuani - estreou no UFC 123 em novembro passado e o mesmo tipo de destruição que ele executava regularmente em seus desempenhos fora do UFC, foi repetido contra Mike Lullo, que sucumbiu após devastadores chutes nas pernas no terceiro round.     
             
Foi um início fantástico para Edson, um produto da equipe The Armory que manteve o seu currículo no MMA perfeito, e se revelou como uma nova força na divisão até 70 quilos. Não é necessário dizer que 2011 viria como um ano promissor.     
            
Mas a vida pode mudar em uma fração de segundo. Assim, enquanto Edson e sua esposa Bruna estavam seguros nos EUA e à espera de notícias sobre sua próxima luta no UFC, a cidade onde ambos nasceram - Nova Friburgo - foi afetada no início de 2011 por fortes chuvas e inundações que devastaram a região serrana do Rio de Janeiro. As catástrofes da natureza geraram 246 mortes nos primeiros 15 dias do novo ano, e colocaram Edson em uma batalha para descobrir se seus amados pais e amigos estavam entre aqueles que perderam suas vidas.     
          
"Foi muito difícil acompanhar as notícias pela internet e TV, porque não sabíamos o que estava realmente acontecendo, e não conseguimos ligar para nossos pais e amigos", afirma Edson, que mora em Jupiter, Flórida. "Eu confiava em Deus que tudo ficaria bem".     
          
Vídeos e fotos da destruição em sua cidade natal foram impactantes para o brasileiro. O cenário catastrófico motivou seu empresário (Joe Mullings) a criar uma fundação para ajudar as pessoas que perderam tudo.     
          
"A idéia do Mullings começou depois da seqüência de acontecimentos terríveis, então a campanha pôde arrecadar fundos para ajudar Nova Friburgo".     
          
Observar o desenrolar da situação, consumiu a mente do lutador de 25 anos, tirando um pouco do seu foco dos treinos. Mas foi algo que voltou quando finalmente conseguiu contato com sua família e de sua esposa.     
          
"Essa coisas mexeram com minha cabeça", disse ele. "Fiquei mal quando eu percebi o alcance da tragédia, mas logo que tivemos contato com família e amigos próximos, eu fiquei um pouco melhor e voltei a minha rotina. Mas eu acho que só vou ter uma idéia exata da destruição quando visitar a minha cidade de novo".      
          
Dando sequência aos treinos para encarar Njokuani, em um encontro que tem os ingredientes do clássico striker contra striker, Edson analisou seu primeiro passo dentro do octógono. A luta que começou a viagem do brasileiro no UFC se desenrolou como esperavam. Ditando o ritmo com chutes nas pernas e evitando a perigosa guarda de Lullo, o friburguense massacrou as pernas do oponente até ele perder sua capacidade de ficar em pé. E Edson fez tudo isso sem sentir o nervosismo pela primeira vez no UFC, já que manteve a calma e impôs seu jogo. Mas ele elogia a coragem de Lullo.     
          
"Eu acho que outros caras teriam caído com um castigo menor do que aquele ele sofreu", disse Edson. "Se ele esta no UFC, é porque ele é um bom lutador e mostrou muita raça".     
        
Porém, só coragem não foi suficiente para parar um lutador como Edson, mas ele lembra que cada vez Lullo puxava para o guarda, esse era o momento onde, se um erro acontecesse, já era.     
        
"Eu assisti suas lutas (fora do UFC), e ele pegou todos os caras que estavam dentro de sua guarda", disse Edson. "Quando ele me puxou, eu sabia que ele era realmente perigoso, mas eu estava muito consciente. Ele não ficou próximo de me finalizar ou algo parecido, então eu pude trazer a luta para onde eu estava dominando".     
      
Guarda, chão e finalização não são palavras que têm muito a ver com a próxima luta de Edson Do outro lado da jaula, Njokuani tem todos os ingredientes para emplacar nocautes na trocação na mesma proporção do brasileiro. Mas estamos falando de MMA aqui, e temos que esperar de tudo, mesmo que, no fundo, sabemos o que os punhos, joelhos e os pés dos dois podem produzir no dia 19 de março.     
        
"Eu acho que cada luta no UFC é um teste para o meu MuayThai, mas este não é um evento de Muay Thai, então estou pronto para lutar em pé e no chão", disse ele. "Se a luta ficar melhor no chão, eu vou derrubá-lo e trabalhar meu jogo de chão, se não, é hora para o meu Muay Thai".     
      
Se o esperado KO não vier, sabemos de toda a magia que MMA pode exibir com um lutador bem versado na trocação acabando com o outro com uma finalização. No entanto, com a agressividade desses dois caras, podemos esperar outra coisa senão uma guerra em pé?     
    
Marque no seu calendário, dia 19 de março no UFC 128, um esperado embate envolvendo lutadores de Muay Thai e as surpresas que ambos podem trazer.    
Sábado, Abril 26
11PM
BRST
Baltimore, MD

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